Curiosidades do automobilismo brasileiro

O calendário nacional de corridas para 1957, publicado em fevereiro, parecia ser uma boa notícia para o esporte a motor carioca: das 20 provas, 10 ocorreriam no Rio de Janeiro. Entretanto, somente as “100 milhas do Maracanã” e o GP Cidade do Rio de Janeiro, uma reedição do antigo Circuito da Gávea, foram permitidos. O GP Cidade do Rio de Janeiro, especificamente, apresentou certas dificuldades para acontecer, pois em visita ao prefeito Negrão de Lima, os dirigentes solicitavam locais para realização da corrida, no final do ano, que contaria com a presença de pilotos internacionais.

A Quinta da Boa Vista e a Praia de Botafogo foram vetados como locais da competição, pois se queria evitar a antipatia da população aos “escapes abertos”, que acabavam com a tranquilidade dos lares, ainda mais à noite, quando muitos pilotos iam treinar. Inicialmente autorizou-se a corrida no circuito do Marapendi, na Barra da Tijuca, porém dada a distância e dificuldades de acesso, conseguiu-se a liberação da Quinta da Boa Vista para realização do evento até então disputado na Gávea. Apenas nove carros participaram da prova, que teve como vencedor o argentino Juan Manoel Fangio. Os portões do parque estavam cercados por pessoas e automóveis pois, com ingressos caros para o padrão da época, o público foi reduzido.

Em 1958, quando os poderes públicos vetaram definitivamente as pretensões de competições em vias públicas, parecia que o automobilismo carioca teria sua pá de cal derradeira. Mas o cenário começou a mudar, uma vez que a florescente região da Barra da Tijuca surgia como possibilidade de local de corridas mediante um traçado de longas retas ligadas por curvas em superelevação. Das promessas do Prefeito Embaixador Negrão de Lima à realidade viabilizada através da obra do engenheiro Adolfo Aguiar, dez meses se passaram. O investimento público foi necessário para tornar as ruas da longínqua Barra adaptadas às corridas.

O evento “Festival do Esporte Motor”, em 28 de setembro de 1958, teve grande concentração de espectadores. Essa edição apontava que as poucas vias de acesso a Barra da Tijuca ficaram bem congestionadas e davam uma antevisão do número de entusiastas que formariam uma parede humana ao longo dos 4.800 metros de pista. Verdadeira excitação tomou conta dos aficionados que há muito não viam uma boa corrida na cidade. Como nada é perfeito, o evento ficou marcado também pelos pilotos empolgados correndo pela cidade e pregando sustos aos moradores.

(Adaptado do estudo de Rodrigo Vilela ELIAS e Silvio de Cássio Costa TELLES, Automóveis e automobilismo no Rio de Janeiro de 1954 a 1959, http://dx.doi.org/10.1590/1807-55092015000200245).

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