Educação no trânsito contra atropelamentos

Educação no trânsito contra atropelamentos

O Globo – 29/11/2015 EDITORIAL
A corda está arrebentando do lado mais fraco. Segundo reportagem do GLOBO publicada domingo passado [Quase 70% dos mortos em acidentes são pedestres, diz Ministério da Saúde], quase 70% dos mortos em acidentes de trânsito no Rio são pedestres. Em 2013, 404 pessoas morreram atropeladas na cidade, sem considerar mais 366 vítimas, cujo registro não informa se eram pedestres, ciclistas ou ocupantes de veículos. São mortes que poderiam ser evitadas se houvesse educação no trânsito. Motoristas precisam ter bem clara a noção de que, usados sem responsabilidade, seus veículos são um perigo para milhares de pedestres e para eles próprios, conforme dizia a célebre campanha da década de 1970: “Não faça do seu carro uma arma, a vítima pode ser você”. Mas se, diante da potência da máquina, o pedestre está em evidente desvantagem, nem por isso toda a responsabilidade deve ser atribuída aos motoristas. Os pedestres têm que fazer a sua parte, e estão falhando nisso, conforme constatou a reportagem do GLOBO: num espaço de dez minutos de uma quintafeira, fora do horário de rush, 67 pessoas atravessaram a Avenida Presidente Vargas a 150 metros da faixa de pedestres. A conscientização para a segurança no trânsito, portanto, precisa fazer parte do currículo escolar de forma consistente, como qualquer outra matéria necessária para a vida dos estudantes. Se o assunto constar apenas das provas para os candidatos a tirar a carteira de habilitação, só dos motoristas será cobrado o conhecimento das regras — algo imprescindível para moradores de grandes cidades. A redução do limite de velocidade para 50 quilômetros por hora é outra medida que colaboraria para reduzir os óbitos. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, um estudo do departamento de tráfego britânico comprova que, quanto mais alta a velocidade no trânsito, maior será o percentual de mortes e lesões. Mas o limite deve se restringir às vias secundárias, conforme proposta em estudo na CET-Rio, uma vez que não se pode engessar o trânsito de toda a cidade — já bastante engarrafado —, para compensar a falta de educação. Limites de velocidade terão pouco efeito se os causadores de mortes no trânsito não forem devidamente penalizados. Afinal, como em todas as esferas da vida brasileira, a impunidade é um dos grandes entraves para qualquer avanço. E, por fim, o risco de atropelamento precisa ser efetivamente considerado no planejamento urbano, evitando-se calçadas muito estreitas e pontos de ônibus confusos, nos quais o pedestre pode ser atingido mesmo quando não está atravessando a rua. Todos — governantes, motoristas e pedestres — devem se empenhar para que a corda arrebente cada vez menos. Não importa de que lado seja

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