Precisamos de um manual para orientar as vítimas de trânsito

Precisamos de um manual para orientar as vítimas de trânsito


A imagem de centenas de pessoas na missa ecumênica realizada em União da Vitória no Paraná, em homenagem as vítimas do acidente de ônibus que deixou 51 mortos, demonstra claramente que um acidente de trânsito faz muito mais vítimas dos que aparecem nas estatísticas. São familiares, amigos, colegas de trabalho, enfim, centenas de pessoas que sofrem em função de um único acidente desta envergadura mas não fazem parte dos números oficiais. Quem perdeu um filho no acidente não entra nas estatísticas mas também é vítima.

Por outro lado, é preciso também preparar alguns serviços que possam ajudar na orientação das vítimas e seu familiares após o acidente e atendimento das equipes de resgate. Assim como os médicos têm um manual com todos os procedimentos na hora do socorro, é preciso usar o mesmo conceito para o pós acidente. Tanto prefeituras como delegacias policiais e hospitais precisam aperfeiçoar a forma de orientar as vítimas e seus familiares.

Nesse sentido, seria interessante que criassem uma espécie de manual das vítimas de trânsito, com todas as informações sobre o que fazer após um acidente. Desde questões pertinentes ao seguro DPVAT, tipo como receber e evitar ser enganado, assim como orientações sobre os procedimentos necessários em caso de morte e invalidez permanente juntos aos diversos órgãos.

Isso minimizaria o drama das famílias que, além de sofrer com a morte, ficam desorientadas até para conseguir um atestado de óbito, liberar recursos de banco, mudar o nome do destinatário das contas, dar entrada em processos na previdência social, enfim, procedimentos necessários para quem perde um familiar ou quando a vítima sobrevive mas fica com lesões tão graves que não pode mais trabalhar.

O Estado, nas suas diversas esferas, pode contribuir reduzindo a burocracia, simplificando os procedimentos e até reduzindo custos para as pessoas mais humildes.

Além disso, é preciso orientação psicológica, sobre como lidar com a situação, principalmente quando a vítima deixa filhos pequenos e desamparados. O acidente é diferente da morte natural para a qual normalmente as pessoas já tomam providências ou estão mais preparadas emocionalmente para enfrentá-la.

Enfim, precisamos nos organizar melhor para lidar com uma situação que envolve centenas de milhares de pessoas todos os anos. O indivíduo não está preparado para lidar com as consequências de um acidente grave, mas a sociedade e o Estado tem a obrigação de estar.

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